Passagem pelo cometa foi em 4 de novembro. Jatos de dióxido de carbono carregavam pedaços de gelo do tamanho de bolas de basquete; sonda saiu ilesa.

O mau tempo, pelo visto, atrapalha o trânsito até em escalas espaciais. A sonda Deep Impact, da NASA, ficou no meio de uma tempestade de gelo num de seus últimos voos, quando estava próxima ao cometa Hartley 2.

A nave chegou a 700 quilômetros do cometa em 4 de novembro. Câmeras na sonda registraram imagens da tempestade. Elas mostram uma espécie de névoa branca cercando o cometa, que tem cerca de 800 metros de comprimento.

De acordo com os cientistas, a tempestade de gelo foi causada por jatos de dióxido de carbono lançados do interior do cometa. Conforme o composto era expelido, levava consigo toneladas de gelo. Alguns fragmentos eram do tamanho de bolas de basquete.

Os pesquisadores da NASA disseram que esse tipo de tempestade contraria o que se pensava sobre o comportamento dos cometas.

O encontro da sonda com o cometa foi há duas semanas. Provavelmente, a sonda foi atingida, pelo menos, nove vezes por partículas de gelo durante a passagem pelo cometa, mas não sofreu nenhum dano notável.

Os cientistas levaram um pouco mais de tempo para processar as imagens pois a câmera de alta resolução da sonda Deep Impact – agora na missão EPOXI – estava fora de foco.

"Quando vimos isso pela primeira vez, nossas bocas simplesmente se abriram", diz Peter Schultz, da Brown University, cientista da equipe da missão de sobrevoo. "Para mim, esta coisa toda se parece com um globo de neve que você chacoalhou."

Imagem ampliada feita pela sonda mostra partículas de gelo do cometa (Foto: NASA/JPL-Caltech, UMD)

Foto do núcleo do Hartley 2 em 04/11/2010 mostrando uma nuvem de partículas de gelo; a foto foi tirada quando a Deep Impact estava em sua aprozimação máxima do cometa (Foto: NASA/JPL-Caltech, UMD)

Confira a galeria do Space.com com fotos do encontro

Flocos difusos  A tempestade, como já mencionado, foi causada por jatos de dióxido de carbono – característica não observada em outros cometas, cujos jatos são, aparentemente, de vapor de água.

Os jatos do Hartley 2 arrastam gelo de água do interior do cometa, formando uma nuvem de gelo difusa ao redor do cometa com forma de sobrecoxa de frango.

A maioria das partículas é pequena, mas algumas podem ser maiores do que qualquer granizo terrestre. "As maiores são, no mínimo, do tamanho de uma bola de golfe e, possivelmente, tão grandes quanto uma bola de basquete”, diz Michael A’Hearn, da University of Maryland (UMD), principal investigador da missão. "Ficamos espantados."

Mas, segundo os pesquisadores, os pedaços de gelo não são tão duros quanto granizo. As medições da Deep Impact revelaram que são agregados fofos de cristais. "Se parecem mais com um dente-de-leão", diz Jessica Sunshine, também da University of Maryland, membra da equipe de ciências.

Esta maciez explica o motivo das partículas de gelo não terem causado danos aparentes à sonda de US$ 252 milhões. Uma vez que ela se movia a cerca de 43.450 km/h no momento, mesmo objetos pequenos poderiam ter feitos amassados sérios na nave – se tivessem sido fortes o suficiente.

O vapor de água provém principalmente da parte lisa do cometa, enquanto uma mistura de dióxido de carbono, poeira e gelo de água emana das bordas ásperas (Foto: NASA/JPL-Caltech, UMD; Adaptação: Eduardo Oliveira)Vivendo e aprendendo  As primeiras análises das novas observações revelam que há muito pouca diferença entre o Hartley 2 e os outros quatro cometas já investigados de perto com sondas. A não ser pelo fato de que o Hartley parece ter muito mais dióxido de carbono do que os outros, disse A’Hearn – o que poderia ser a explicação para seus jatos serem principalmente de dióxido de carbono.

Mas o motivo de ele ter tanto dióxido de carbono ainda não está claro. Ele pode ter se formado mais distante do Sol. Mas isto é apenas especulação, acrescenta A’Hearn.

O sobrevoo deu muito aos pesquisadores para pensar. "Enfatizou o quanto cometas são diferentes um do outro", diz A’Hearn. "As coisas acabaram de ficar muito mais complexas."

A Deep Impact irá assistir ao Hartley 2 recuar para as profundezas do espaço até 25 de novembro, enviando à Terra cerca de 3 mil imagens por dia (uma a cada dois minutos), segundo autoridades da NASA.

Nucleos dos cometas visitados pela Deep Impact; fotografias tiradas pela sonda (Foto: NASA/JPL-Caltech, UMD)

Este é o segundo cometa que ela observou. Em 2005, ela serviu de nave-mãe para uma missão que impactou uma sonda no cometa Tempel 1 para ver do que ele é feito. Na ocasião, o impacto levanto apenas grãos.

 

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